O câncer de mama, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), é o tipo de câncer que mais acomete as mulheres (excluindo tumores de pele não melanoma). Em 2019, foram diagnosticados 59.700 novos casos, o que representa uma taxa de incidência de 51,29 casos por 100.000 mulheres.

Quando se realiza a biópsia de um tumor na mama ou após uma cirurgia na mama, envia-se o material para um exame chamado imunohistoquímica. Este exame avalia se o tumor na mama possuía receptores hormonais(estrogênio e progesterona). Cerca de 67% dos cânceres de mama possui pelo menos um desses receptores positivos.

A recomendação atual é que pacientes que tenham pelo menos um dos receptores positivos (estrogênio ou progesterona) e seja >1%, recebam algum tipo de terapia hormonal. O exame de imunohistoquímica pesquisa também se na superfície do tumor tem uma proteína chamada Her2 (explicarei com maiores detalhes em outro post).

O que significa quando a paciente tem câncer de mama com receptores hormonais positivos? Basicamente que seus próprios hormônios femininos, estrogênio e progesterona,alimentavam seu tumor, fazendo com que ele crescesse de maneira mais rápida.

Para entender mais sobre as terapias hormonais no câncer de mama é preciso entender um pouco como funciona o eixo hormonal na mulher.

Dentro do cérebro existe uma estrutura chamada hipotálamo que ordena para uma segunda estrutura cerebral chamada hipófise produzir uma substância chamada gonadotrofina (LH e FSH). FSH (hormônio folículo estimulante) estimula a secreção de estrogênio.

O hormônio luteinizante (LH) é responsável pelo amadurecimento dos folículos, ovulação e produção de progesterona. Estrogênio e progesterona no final de todo este ciclo envia uma mensagem ao cérebro, mais especificamente ao hipotálamo para diminuir a ordem da produção hormonal.

Este eixo é responsável pelo ciclo menstrual feminino. Diversas terapias podem ser instituídas nas pacientes com câncer de mama com receptores hormonais positivos. Com o uso do tamoxifeno, a mortalidade por câncer de mama é reduzida em um terço nos primeiros quinze anos após o diagnóstico.

Tanto o câncer de mama invasivo quanto o in situ tem benefícios com o uso de tamoxifeno. Este atua se ligando as células da mama, agindo como um escudo, impedindo que os hormônios femininos atinjam as células mamárias. Em combinação com a varfarina (medicamento anti-coagulante), o tamoxifeno aumenta o risco de sangramento.

Efeitos colaterais mais comuns são: calorão da menopausa (41-80%), menstruação irregular (9-25%) e corrimento vaginal (3-30%). O tamoxifeno pode ser ingerido com ou sem alimentos.O uso de tamoxifeno está indicado por 5 a 10 anos, mas deve ser discutido de maneira individualizada com seu médico. Irei explicar sobre outras terapias hormonais nos próximos posts. Em caso de dúvidas só clicar na bolinha do whatsapp e agendar uma consulta. Aguardo vocês!

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